Como o passado pode nos ajudar a enfrentar o presente? Um comparativo de 2 grandes pandemias

Podemos pensar que estamos vivendo uma situação sem precedentes
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Pacientes em um hospital no Kansas - EUA

Pacientes em um hospital no Kansas - EUA

Antes de traçar um quadro comparativo entre a atual pandemia do coronavirus e a da Gripe Espanhola, conheça um pouco mais sobre pandemias.

O termo Pandemia refere-se a uma situação onde uma certa doença infecciosa ameaça muitas pessoas pelo mundo ao mesmo tempo. Ou seja, o termo não está associado ao seu nível de gravidade, mas com o tamanho geográfico de sua abrangência.

O mundo já atravessou, ou atravessa, desde 1343 até o corrente ano oito graves pandemias. Quais sejam:

1) Peste Bubônica (Peste Negra) - Entre 1343 e 1353;

2) Varíola – Entre 1896 e 1980;

3) Tifo – Entre 1918 e 1922;

4) Cólera – ativo;

5) Tuberculose – Entre 1850 e 1950;

6) HIV – a partir de 1980;

7) Gripe Suína (H1N1) – a partir de 2009

8) Covid – desde dezembro de 2019

A mais grave de todas estas pandemias foi sem dúvidas a Gripe Espanhola, que na verdade tem outra origem, que não a Espanha, que com certeza também sofreu os efeitos daquele terrível surto gripal.

Exatos 100 anos após a pandemia da Gripe Espanhola, nome pelo qual se popularizou, o mundo se vê diante de outra terrível doença – a Covid-19. Vejamos os comparativos entre a Gripe Espanhola e a Covid:

 

GRIPE ESPANHOLA

Origem do nome: Desejosos de evitar o pânico, os censores da Primeira Guerra Mundial esconderam ou minimizaram os primeiros relatos da doença e sua mortalidade na Alemanha, Reino Unido, França e Estados Unidos. Na Espanha, por sua vez, havia liberdade para se relatar os efeitos da pandemia. Com estas notícias, criou-se a falsa impressão que a Espanha estava sendo especial e gravemente atingida, o que provocou a ideia de a pandemia tinha ali a sua origem – somente porque os espanhóis falavam abertamente sobre a doença. Daí se tornar conhecida como "gripe espanhola". Contudo, não há segurança para se afirmar onde a gripe teve origem, geograficamente falando.

De modo que na Espanha, a gripe foi chamada "gripe francesa"; na Alemanha, “gripe de Flandres”; no Senegal, “gripe brasileira”; no Brasil, “gripe alemã”; na Polônia, “gripe bolchevique”; na Pérsia, “gripe britânica”.

Sintomas: O vírus desta gripe tinha a capacidade de afetar vários sistemas do organismo, e podia causar sintomas ao atingir os sistemas respiratório, nervoso, digestivo, renal ou circulatório. Por isso, os principais sintomas da gripe espanhola incluam dores musculares e nas articulações; dor de cabeça intensa; insônia; febre acima de 38º; cansaço excessivo; dificuldade para respirar; sensação de falta de ar; inflamação da laringe, faringe, traqueia e brônquios; pneumonia; dor abdominal; aumento ou diminuição dos batimentos cardíacos; proteinúria (aumento da concentração de proteína na urina); e nefrite (inflamação dos rins).

Gravidade: Análise de 2007 de revistas médicas do período da pandemia descobriu que a infecção viral não era mais agressiva que as estirpes anteriores de influenza. Em vez disso, ficaram mais agressivas devido à desnutrição, falta de higiene e aos acampamentos médicos e hospitais superlotados de doentes, promovendo uma superinfecção bacteriana, responsável pela alta mortalidade.

Período: Janeiro de 1918 a Dezembro de 1920 (quase dois anos).

1º Caso: Estado de Kansas, nos EUA.

Causador: Vírus Influenza – H1N1.

Nº Casos: 500 milhões de pessoas infectadas – cerca de um quarto da população mundial da época.

Nº de Mortes no mundo: Impreciso – pode variar de 17 milhões a 50 milhões de pessoas

Casos No Brasil: A epidemia chegou ao Brasil em setembro de 1918, quando o navio inglês "Demerara", vindo de Lisboa, desembarcou doentes no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro (então capital federal). No mesmo mês, marinheiros que prestaram serviço militar em Dakar, no Senegal, desembarcaram doentes no porto de Recife. Em pouco mais de duas semanas, surgiram outros focos em diversas cidades do Nordeste e em São Paulo. Ao final, a Gripe Espanhola deixou cerca de 35 mil mortos no Brasil.

Como terminou a pandemia: Uma teoria sustenta que o vírus sofreu uma mutação extremamente rápida, tornando-se uma estirpe menos letal. Essa é uma ocorrência comum com os vírus influenza: existe uma tendência de os vírus patogênicos se tornarem menos letais com o tempo, pois os hospedeiros de estirpes mais perigosas tendem a morrer.

COVID-19

Origem do nome: Desde o início de fevereiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a chamar oficialmente a doença causada pelo novo coronavírus de Covid-19. COVID significa COrona VIrus Disease (Doença do Coronavírus), enquanto “19” se refere ao ano de  2019, quando os primeiros casos em Wuhan, na China, foram divulgados publicamente pelo governo chinês no final de dezembro. No caso, a denominação do vírus é utilizada para evitar casos de xenofobia e preconceito, além de confusões com outras doenças.

Sintomas: Os sintomas de COVID-19 são altamente variáveis, variando de nenhum a doenças com risco de morte. O vírus se espalha principalmente pelo ar quando as pessoas estão perto umas das outras. Ele deixa uma pessoa infectada quando ela respira, tosse, espirra ou fala e entra em outra pessoa pela boca, nariz ou olhos. Ele também pode se espalhar através de superfícies contaminadas. As pessoas permanecem contagiosas por até duas semanas e podem espalhar o vírus mesmo se forem assintomáticas. Entretanto, são mais comuns sintomas como: (mais comuns) – febre, tosse seca, cansaço; (menos comuns) - dores e desconfortos, dor de garganta, diarreia, conjuntivite, dor de cabeça, perda de paladar ou olfato, erupção cutânea na pele ou descoloração dos dedos das mãos ou dos pés.

Gravidade: Os casos são classificados como severos, quando os pacientes precisam ser admitidos em uma unidade de tratamento intensivo, intubados ou quando vão a óbito. As comorbidades encontradas envolvem doenças cardiovasculares, diabetes, doenças pulmonares crônicas, doenças hepáticas, renais e neurológicas crônicas, imunossupressão, obesidade e câncer. E as complicações definidas como pneumonia, distúrbios cardíacos, falência renal e falência múltipla de órgãos, SARA (Síndrome do desconforto respiratório agudo), que se caracteriza pela falta de ar intensa e, muitas vezes, deixando as pessoas incapazes de respirar por conta própria, sem o apoio de um ventilador pulmonar, carecendo da administração de oxigênio, de fluidos e de medicamentos.

Período: Desde dezembro de 2019.

1º Caso: Wuhan, na China.

Causador: Coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2).

Nº Casos: 131 milhões de pessoas infectadas (dados de 04 de abril de 2021).

Nº de Mortes no mundo: 2,85 milhões de mortos (dados de 04 de abril de 2021).

No Brasil: 13 milhões de casos com 331 mil mortes (dados de 04 de abril de 2021).

No Piauí: 210 mil casos com 4,2 mil mortes (dados de 04 de abril de 2021).

Situação de combate: Vacinação iniciada no Brasil o dia 18 de janeiro de 2021.

No Piauí, um dos primeiros casos de pessoas infectadas pelo coronavirus envolveu o jornalista Marcelo Magno, apresentador de telejornais da TV Clube, que contraiu a doença em viagem ao Rio de Janeiro, para onde foi apresentar o Jornal Nacional, da Rede Globo, num processo de divulgação do principal noticiário da emissora, dia 7 de março de 2020. Poucos dias após seu retorno, Marcelo apresentou problemas respiratórios e febre. No primeiro exame, o resultado apontou negativo para covid, mas com o agravamento do quadro o jornalista teve de ser internado em UTI no Hospital Prontomed, onde foi intubado.

Naquele momento, o Piauí registrava 43 casos confirmados da doença.

Marcelo passou oito dias internado na UTI, seis deles intubado, mas deixou o hospital totalmente fora de perigo, continuando em casa o tratamento.

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